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Itacoatiara: A Praia Invisível

Sempre que é possível, procuro caminhar para tentar evitar as doenças do mundo moderno. Elas atacam aqueles que praticam o sedentarismo (fui sedentário até pouco tempo atrás, confesso).

Agora, uso as ruas da bela Itacoatiara para as minhas caminhadas. Mas, algo vem me incomodando e que preciso dividir com vocês.

Não estou aqui querendo causar qualquer tipo de polêmica, mas defender um ponto de vista, defender o ser humano. Todas as vezes que caminho pela praia preciso usar o asfalto e dividir a pista com carros, bicicletas, skates e etc. Isso é claro porque não há calçada na orla, apenas um caminho entremeado por árvores e quiosques. Tudo bem. O trânsito é pequeno no local e, enfim, isso lá não incomoda muito.

Mas, o que vem incomodando mesmo é a ausência da visão do mar. Sei que toda a vegetação da restinga estava detonada e que foi brilhantemente restaurada pela SOAMI e órgãos ambientais do Estado e do município.

Contudo, a vegetação cresceu, cresceu e agora se transformou no habitat exclusivo dos animais silvestres, afastando o ser humano da visão contemplativa do mar. Virou um muro.

"De acordo com alguns moradores, a altura da restinga serve para conter bandidos e acumular muito lixo".

Ei! O ser humano faz parte do Planeta Terra, sim! Ele também faz parte do meio ambiente. Eu sei que o ser humano errou e erra muito, destruiu e destrói florestas, poluiu e polui rios e mares... Mas, talvez, a sua re-inserção no meio ambiente na forma de contemplação possa ser um passo decisivo na educação de geração futuras.

Posso, como qualquer ser humano, ter direito a olhar ou contemplar o belo mar, da Praia de Itacoatiara. O resultado é que estarei mais ainda inserido na questão ecológica e muito mais engajado na luta pela preservação da natureza. O “muro de vegetação”, que talvez esteja até fora do ideal natural pela altura que atingiu (em alguns trechos, arbustos quase se transformaram em árvores) está na verdade afastando e isolando ainda mais o ser humano do seu habitat natural.

Fazemos parte de todos os lugares do planeta Terra. Ocorre que em muitos momentos a nossa inteligência se transformou em burrice por conta da ganância e na certeza de que as futuras gerações iriam encontrar “soluções” para o esgoto, o lixo, a fumaça, o plástico e outros malefícios para o ecossistema.

Contudo, acredito que é re-inserindo responsavelmente o ser humano na natureza que conseguimos dar a devida educação ecológica e não criando barreiras, como está acontecendo em Itacoatiara.

No caso da Praia de Itacoatiara, a barreira vegetal da restinga está alta demais, afastando do cidadão a visão contemplativa de uma das mais belas praias do mundo. Com certeza um bom eco arquiteto pode projetar um ou dois pontos de observação, decks pequenos, de madeira, entre a restinga, permitindo o acesso de crianças, idosos e cadeirantes, dando a todos, democraticamente, o direito de contemplar o mar, a areia, o costão, a própria vegetação da restinga e sentir a brisa do mar... O ser humano também faz parte disso tudo e vai lembrar que o planeta também é seu e que precisamos cuidar muito bem dele para que gerações futuras possam também passar por ali e ter o mesmo prazer contemplativo.

Imagino que sempre quando há uma entrega de algo evoluído à população, inicia-se um processo de respeito e que os habitantes acabam por abraçar a idéia com muita simpatia. E eu tenho como exemplo o metrô do Rio, que tem mais de 38 anos e jamais vi um banco estragado ou parede com pichação.

Quem gosta, cuida.

 

Que tal pensar nisso? Quero voltar a ver o mar de Itacoatiara.


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