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Faz tempo que um filme não mexe tanto comigo... Não sei bem apontar um motivo. Talvez, pela interpretação visceral da atriz protagonista. Blake Lively é mais conhecida por ter atuado na série “Gossip Girl”. Entretanto, em “Por Trás dos Seus Olhos” (“All I SeeIsYou”, no original), ela deixa de ser, de fato, uma atriz de séries, para entrar no hall de poderosas de Hollywood. Ela provou que encara a telona e consegue dominar a atenção do público. Porém, também não sei dizer se foi o trabalho bacana do diretor que realmente soube orquestrar a produção. Marc Forster, conhecido por “Guerra Mundial Z”, também soube manejar, com precisão, o delicado drama “O Caçador de Pipas”. Além disso, as direções de fotografia e som do filme surpreendem... Enfim, várias são as razões pelas quais esta película chamou minha atenção.

A trama gira em torno da jovem Gina (papel da supracitada Blake) casada com James (interpretado pelo ator Jason Clarke). A primeira vista, ostentam um casamento quase perfeito. Inclusive, a meta de ambos parece ser “engravidar”. A questão é que eles estão um pouco longe de ser um casal trivial. A esposa ficou cega quando criança, após sofrer um acidente de carro que também a deixou órfã de pai e mãe. Sendo assim, esta moça acaba por estabelecer uma relação de total dependência com o marido. E ele se tornou, literalmente, seus olhos! Esta “dependência” parece ser, em determinado momento, o alicerce do matrimônio. Ela vê o mundo através de James... Vê o que ele deseja que ela veja, pois depende da ajuda das descrições dele.

Entretanto, apesar da deficiência, os dois levam uma vida tranqüila na Tailândia. É lá que o marido trabalha e, obviamente, onde a mulher está instalada. Ela, como conseqüência, vegeta em quase total isolamento, tendo contra ela a sua própria cegueira e o desconhecimento do local, pois, no final das contas, não passa uma expatriada em terra estrangeira.

A interpretação de Blake é tão visceral que se torna palpável sua fragilidade em ter seu marido como principal mediador com o mundo. É como se ele fosse à figura que a protegesse e a guiasse pelos caminhos da vida. Ela depende tanto dele que, quando estão distantes um do outro, seu pânico é palpável, assim como seu atrelamento a ele.

A questão é que essa submissão tem os dias contados. A vida de Gina passa por uma reviravolta quando é surpreendida pela possibilidade de voltar a enxergar. Decide se submeter a um procedimento experimental para recuperar a visão em um dos olhos. O mundo volta a “existir” para ela. Não mais através da perspectiva de outrem. Gina passa a ter sua própria concepção de mundo. Imaginem a cena: ela passa pela experiência bizarra de enxergar seu próprio marido pela primeira vez. E, infelizmente, não consegue esconder uma ponta de decepção. Ela esperava mais. Assim como, com o passar do tempo, ela percebe que a sua vida era muitíssimo limitada. Não apenas pela sua deficiência, mas também porque ficava a mercê do que o “marido queria que ela enxergasse”. Via e vivia no mundo que ele queria que ela visse. 

Depois de recobrar a visão, Gina deseja viver intensamente tudo o que está seu redor. E é lindo, neste momento, perceber o trabalho das equipes de som e imagem responsáveis pelo longa. O filme, até então, era baseado em tons frios e em um barulho exacerbado (devido à acuidade auditiva que a moça utilizava, para compensar a cegueira). No pós-operatório, surge uma película brilhante, forte, tomada por uma exuberante explosão de cores. São os tons e os sons que transmitem as mudanças nas impressões sentidas profundamente pela jovem. E, como conseqüência, vivemos, junto com ela, esta verdadeira “adaptação”, despindo-se de um mundo tão limitado e triste, passando para uma experiência tão intensa e fluorescente.

A questão é que, o que a princípio parece ser uma benção, acabou por se tornar um inusitado pesadelo. Surge o ciúme do marido que, antes, a tinha em suas mãos... Todavia, com a visão, nasce uma nova mulher: independente, segura de si, viva! Ela quer novas roupas, quer outro tipo de relacionamento, quer respirar e redescobrir sua própria existência. Percebe-se que era a situação de dominação que sustentava o casamento. E, fazendo uma analogia com a vida real, eu lanço a pergunta: quantos relacionamentos, ao nosso redor, também não são “sustentados” através da submissão de uma das partes, não apenas através de uma deficiência, mas também pela necessidade ou conveniência de um dos dois?  Pense nisso!


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